20 de dezembro de 2010

Queridos amigos, encontrei esta carta no site Bicho de Rua e chorei muito ao perceber que existem muitos cães nesta mesma situação. Resolvi publicar aqui, pois foi um dos textos mais bonitos que já li, espero que gostem também!

” Querido dono,

Consegui que escrevessem esta carta por mim. Nem sabes a alegria que sinto por poder me comunicar contigo. Todos os dias, desde aquele dia longínquo em que me colocaste a corrente no pescoço e me prendeste neste espaço, eu sonho que vens me visitar e fazer festinhas como fazias quando eu era um bebê. Eu sonho que vens conversar comigo, não entendo muito bem o que me dizes, mas nem imaginas como adoro ouvir o som da tua voz!
Eu sei que fiz algo de errado, senão certamente não me terias colocado aqui. Desculpa! Não quero ser exigente, mas começa a doer ter esta corrente atada ao meu pescoço. Às vezes tenho o pescoço dormente, e outras vezes tenho muita comichão e nem consigo coçar! Sinto o seu peso todos os dias, o peso da solidão que me prende.
Tenho vontade de esticar as pernas e correr e como eu gostaria de poder fazer isso contigo. Adoraria que me atirasses umas bolas, aí eu poderia mostrar-te como sou rápido a correr e como as trazia rapidamente. Gostaria de poder ver o que tu vês, o mundo lá fora é muito grande? E existem outros como eu?
Ás vezes tenho sede e alguma fome, mas eu agüento em silêncio porque sei que assim que podes vens cá dar-me comida e água, sei que fazes o que podes, eu não quero incomodar, mas sabes, por vezes gostava de ter um pouco da tua companhia.
Sei que talvez alguém te tenha dito que eu não tenho sentimentos, mas olha que é mentira! Nem imaginas quanta alegria sinto quando alguém me toca ou se dirige a mim. Nem sabes quanta tristeza e solidão pesa em mim nas longas horas que não vejo ninguém. Nem sabes o medo que por vezes sinto no inverno aqui sozinho, e tenho tanta vontade de estar perto de ti.
No outro dia passaram aqui umas pessoas estranhas e puseram-se a olhar cá para dentro e a apontar para mim, riam e atiravam umas pedras na minha direção. Queriam fazer-te mal. Acertaram-me na pata e ontem não consegui levantar-me , mas eu afugentei-as logo com o meu ladrar. Eu não quero que ninguém te venha fazer mal…e não quero que te zangues comigo, eu prometo fazer o melhor por ti.
Eu sou o teu amigo mais fiel, nunca te irei trair, não guardo rancor, e não tiro nunca o lugar de ninguém, será que tens mais amigos assim no teu mundo? Só queria um pouco mais da tua atenção e amor, uma cama quente no inverno, um local fresco no verão e o teu cheiro a entrar-me nas narinas todos os dias, seguido de um sorriso e uma festa no meu velho lombo.
Eu sei que um dia tu irás chegar aqui e tirar a corrente, e dar-me tudo isto, até lá eu fico quieto a espera. Só não demores muito meu dono, porque estou a ficar velho e começo a ver e ouvir mal. Faltam-me forças e não quero ir, sem viver um pouco contigo.
Do teu cão”

4 participações especiais:

Rutha/Pink/Barum/Luna disse...

É muito triste este texto !
Vim desejar um Ótimo Natal pra vocês ! Muita saúde e amor para toda a família ! Boas Festas !
Lambidas da Rutha e mamãe

GRAÇA disse...

Sofia! fiquei muito feliz por quereres ser minha amiga, vou pedir a mamy para te fazer um miminho para por no teu blog antes do fim do Ano!logo que estiver pronto te digo.
Gostaria de levar esta carta se não te emportares..para fazer uma postagem logo no inicio do novo ano,já viste que tento divulgar estes casos e os abandonos,pois tenho muita pena dos amiguinhos que não tiveram a sorte de ter um lar como nós (mamy chora sempre quando lê estes casos)
Me aguarda!
Ronrons da amiga
Kika

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